Misteriosas cidades-fantasmas no Brasil

Nem todas cidades são iguais, algumas são cheias de pessoas circulando a todo vapor entre prédios e carros. Outras são pacatas cidades do interior, com as pessoas apoiadas às suas janelas só para ver a vida passar.

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No entanto, há outras – e essas merecem até um post – são as cidades-fantasmas. Essa cidades têm uma áurea mais nebulosa, com uma perspectiva sombria e escura que faz com que todos tenham um arrepio na espinha só de pisar os pés nelas.

Nada mais assustador que cidades prósperas no passados se tornarem apenas um retrato triste do tempo. E o tempo a transformou assim: implacáveis recordações e sonhos.

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No Brasil existem algumas cidades-fantasmas, vamos conhecer?

Fordlândia

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Essa cidade-fantasma deixaria até mesmo o mais entusiasta escritor de ficção-científica no chinelo – como Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo. Neste caso, a produção em série era de látex.

 

Como muitos sabem, as seringueiras são as grandes fornecedoras de borracha natural, e, na década de 20, o empresário norte-americano se interessou muito por elas. Esse empresário era nada mais, nada menos que Henry Ford, o precursor da produção em série. A sua intensão era abastecer a sua empresa de látex, item essencial para a confecção de pneus.

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Na época, as indústrias Ford eram dependentes da borracha produzida na Malásia, que por sua vez, era colônia britânica. Logo, tiveram a ideia de vir para o Brasil, país onde tudo floresce e cresce – aliás, a região escolhida era uma grande produtora de látex. E da árvore surgia o ouro cobiçado.

Da glória à ruína

Enfim, em 1927 a Fordlândia cresceu em meio a mata no estado do Pará. Teve um crescimento próspero e rápido, com casas e galpões trazidos de navios dos Estados Unidos. Tudo parecia bem, mas não respeitaram as leis da floresta.

Sim, plantaram as seringueira longe dos limites da floresta e o que aconteceu foi praga, doenças e mortes. A floresta é uma barreira natural de proteção.

Mas, Henry Ford estava implacável e mudou-se de lado, foi para outra margem do rio e fundou Belterra. Mas, cometeu o mesmo erro, plantando as seringueiras de forma inadequada. Outros problemas vieram, como problemas agrícolas por não conhecerem a cultura local, a descoberta da borracha feita de petróleo e a relação funcionário e patrão – estilo americano – fizeram que ambas cidades falissem e fossem abandonadas, tornando cidades-fantasmas.

Provavelmente, o choque cultural foi demais para região, há histórias do exército brasileiro intervir, pois trabalhadores descontentes com o tratamento mande in USA, fugiam para a floresta. De certo, o empreendimento grandioso de Ford não obtivera sucesso. O que resta são ruínas e sombras do tempo cravados na floresta.

Para quem se interessou nessa história, há um livro com muito mais história de Fordlândia – “Fordlândia – a ascensão e a queda da cidade perdida na selva de Henry Ford”. Aliás, Henry Ford nunca pôs os pés lá depois de construída.

Igatu – Bahia

Ao longo dos mais de 500 anos de Brasil houve diversas histórias, no mínimo curiosas. Uma delas, aconteceu em Igatu, na Chapada da Diamantina. mais uma para a coleção de cidades-fantasmas do país.

No século XIX, houve uma corrida pelas jazidas de diamantes e outras pedras preciosas, que atraiu gente de todos os lados em busca de riqueza e poder.

Foram anos prósperos que levaram prosperidades ao coração da Bahia – casas, comércios, hospitais e até cassinos. A cidade era chamada de Xique-xique em homenagem a vegetação típica do sertão – uma espécie de cacto.

O século trouxe decadência à extração de diamantes e à cidade de Igatu. Quem estava ali, saiu para buscar seu lugar ao sol e outras oportunidades em outro canto. De 10 mil habitantes, restaram 403 e ruínas daquilo que chegou a ser Igatu em seu auge.

Conhecer a cidade é ter contato com um pouco da história do Brasil, contadas por aqueles que ainda vivem por lá. Além de suas histórias e lendas, das ruínas das casas coloniais, há também uma parte nova onde os moradores atuais habitam, com bares rústicos para receber os turistas.

Há na cidade uma energia muito forte na cidade que a fez ser chamada de Machu Picchu Brasileira.

Por tanta coisa, Igatu foi tombada pelo IPHAN – Instituto de Patrimônio Histórico e Cultural Nacional.

Airão – Amazonas

Algumas histórias de cidades-fantasmas são um tanto quanto surreais, como essa. Uma lenda pôs uma cidade abaixo: de formigas comedoras de gente.

A floresta amazônica é rica em diversidade e grandiosidade. Nelas vivem inúmeras espécies de fauna e flora harmonicamente. Até mesmo as formigas.

A cidade de Airão, localizada às margens do Rio Negro, e como é vizinho da mata, surgiu a lenda que seus moradores estavam desaparecendo por conta das formigas. No entanto, a história é outra.

Assim, como Fordlândia, a cidade de Airão vivia da cultura do látex, desenvolvida durante os anos da Segunda Guerra Mundial, do Médio ao Alto Rio Negro. Ela teve sua importância por enviar a produção de borracha aos Aliados.

Com o fim da guerra, pararam de comprar a borracha.  A Inglaterra substituiu o produto brasileiro pelo malásio, o qual era a sua colônia – ou seja, não pagava nada por ela.

Enfim, com a cidade falida, os moradores foram buscar oportunidades melhores em Manaus. Alguns poucos moradores migraram para Vila de Itapeaçu, que ficou conhecida como Nova Airão.

Não mora mais ninguém na Velha Airão desde 1985 e serviu de base par Marinha durante um tempo. Em 2005, o IPHAN tombou a cidade como patrimônio histórico e cultural brasileiro.

Conhecer Airão pode ser lindo, o viajante percorre 2 horas de barco para se encantar com o visual assustador de ruínas coloniais e da força da mata.

Mas nem tudo é morto nessa região, e quem visita a Velha Airão, também conhece a nova. Essa região é o início do Parque Anavilhanas e Parque do Jaú.

São João Marcos – Rio de Janeiro

Na época do Brasil Colônia todas as riquezas produzidas aqui eram enviadas para Portugal, sobretudo o ouro vindo de Ouro Preto. Para serem levadas até seu destino final, era preciso chegar até o mar. Como Minas não tem mar, o Rio de Janeiro era seu caminho.

A Estrada Real ligava Ouro Preto à Paraty, e no meio do caminho, havia a cidade de São José Marcos. A cidade era rica nessa época, mas com a chegada da República veio a destruição.

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A cidade foi tombada e destombada para a construção de uma represa, para suprir a falta de água no Rio de Janeiro. A cidade foi abaixo e para baixo das águas e se tornou uma das cidades-fantasmas.

O tempo que  é senhor de tudo, mostrou as suas forças e fez reaparecer as ruínas. Logo, esse local virou Parque Arqueológico e Ambiental de São Marcos. O parque está aberto à visitação de quarta a sexta-feira, das 10h às 16h e sábados e domingos das 9h às 17h, com acesso via Estrada RJ-149 Rio Claro – Mangaratiba.

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